Sábado, 12 de Abril de 2008

- Raid Selinda BTT 2008

Sertã em formato XL - 12 e 13 de Abril de 2008

 

Foi no fim-de-semana de 12 e 13 de Abril que o grupo Selinda BTT nos presenteou com o raid XL. XL em Trilhos, divertimento e boa disposição.

 

Dia 12 – Após uma semana de chuva e vento, graças ao bondoso Sº Pedro, tudo se parecia compor para uma boa etapa. A partir das 8 horas, começaram a chegar os poucos entusiastas, alguns participaram apenas neste dia, outros, mais aventureiros, ousaram participar nos 2 dias. Seriam cerca de 130 nesta primeira etapa. Desde cedo, já se fazia sentir um frio enregelado, habitual nesta zona do país. Aproximavam-se as 9 horas e já estava tudo a postos para a partida mas não antes do pequeno-almoço, com sumos, bolos e salgadinhos. Num ápice, só se avistavam as bikes dispersas em todo o lado e os riders encostados ás mesas do belo petisco matinal.

Depois da largada e sempre a pedalar em grande estilo, entre estradões largos e passagens em muitas aldeias da região, assim se implementou um bom ritmo ao grupo. Com pouca dificuldade e muito asfalto, perdeu-se um pouco de adrenalina que bem gostamos de sentir neste tipo de eventos. Notou-se alguma dificuldade nas marcações dos trilhos, o que fez com que tivéssemos muitas vezes que parar para nos redireccionarmos correctamente no trilho. Um pouco mais à frente tudo isto foi esquecido, quando nos deparámos com uma descida vertiginosa numa estrada romana, que ligava antigamente Pedrógão Grande a Pedrógão Pequeno. A terminar com a vista sobre a albufeira de uma das barragens do Rio Zêzere, acho que quase todos parámos a ver a paisagem. Uma beleza ímpar, com escarpas a mergulhar do rio, o que se torna tanto belo como perigoso.

Seguindo por um single track junto à falésia, encontrámos mais à frente um túnel esculpido na rocha, que nos fez sentir como se estivéssemos a entrar numa gruta. Sem dúvida alguma que ficámos rendidos à beleza deste traçado. Como se pôde constatar, a geografia desta zona não nos permite rolar por muito tempo. Assim que descemos, tivemos que subir… e subir… Apesar deste esforço acrescido, não posso contudo deixar de referir a atitude bastante ecológica do betetista Samuel, da Ghost Boy Clube Team, que depois de uma subida muito rigorosa, onde já não havia fôlego para muito mais, parou junto de um caixote do lixo para depositar a embalagem da barra energética que consumiu. Ainda antes de terminar, fomos presenteados com alguns single tracks muito divertidos o que fez com que a chegada à Sertã fosse feita a grande ritmo. Era altura de nos deliciarmos com o que ainda nos esperava.

Depois do tão merecido banho quente e de limpar as nossas companheiras de pedaladas, eis que nos aguardava junto à ribeira da Sertã, um porco no espeto de comer e chorar por mais. O convívio é decerto o melhor que levamos deste tipo de eventos de 2 dias. O jantar, marcado para as 21h, tornou-se em mais um grande banquete, com sorteio de prémios no final. No final da noite, era hora de dormir… esperava-nos mais um dia duro de roer.

 

Dia 13 – Neste dia, eram 110 os participantes inscritos. Depois de mais um pequeno-almoço reforçado, na zona da partida/chegada, seguimos por dentro da vila, onde o Sº Pedro fez mais uma vez jus à sua reputação. A chuva conseguiu demover alguns participantes mas não todos felizmente. Até porque uma hora a chover até ajudou a refrescar. Para aqueles que venceram o frio e a chuva, a recompensa chegou aos 12km, com uma prova da já famosa jeropiga. Quem tinha frio, passou a ter um calor ardente! Como não se deve beber sem comer, mais à frente esperava-nos um reforço com sandes, sumos, bolos, queijo, presunto, fiambre (cortado na hora). Eu preferi umas fatias de presunto com um belo sumo para apagar a chama da jeropiga. Este segundo dia primou pela beleza da região, com os trilhos verdejantes onde abundavam os eucaliptais. Com passagem por velhos moinhos de pedra e muitas ribeiras, os trilhos eram constituídos por muitas pedras, o que nem sempre dava a estabilidade desejada a descer.

Atravessámos o rio numa bela ponte romana ainda perfeitamente intacta. Daí iríamos acompanhar o rio, tanto no single track, como no cabeço das montanhas que o circundavam. Depois de mais uma subida, das muitas que fizemos e que ainda nos esperavam, fomos ao encontro do famoso single track que subia o rio, com alguns km de extensão e muitas zonas rochosas. Parte deste trilho era feito numa antiga conduta de água, que gerava força a um moinho de água. Simplesmente magnifico! Ao fim de mais uma árdua subida, parámos num reforço “caseiro” junto de uma laranjeira.

Pedimos desculpa ao dono, mas o desejo por algo doce, não nos deixou ir embora sem saciar a nossa vontade. Daí até ao final foi um corrupio de sobe e desce, onde já não restavam muitas forças. No entanto, aproximava-se o fim da prova. Sempre a descer para a Sertã, entrámos no último single track para passar a ponte romana que nos daria o alívio de ver a meta. Estava realizada a ultima etapa. No fim, agradecemos o facto do primeiro dia ter sido fácil com 62 km. O segundo dia, apesar de contar com 58 km, revelou-se com um nível de dureza e dificuldade superiores. O terreno naquela zona é bastante rigoroso, o que fez com que se verificassem algumas desistências. Ultrapassadas todas as dificuldades, mais um banquete nos esperava. Para além deste ser um evento memorável a nível de paisagem, este primou muito pelo convívio, pela atenção que a organização deu aos participantes e pela comida (não há hipótese, espera-me uma dieta). Tratou-se de um verdadeiro exemplo do que é no seu mais puro e saudável conceito de BTT. Um passeio de lazer com um cheirinho de competição, em que o fundamental é o convívio entre todos. De salientar também que para que este evento se tornasse possível, a organização apenas pôde contar com a ajuda do Município da Sertã e das Juntas de Freguesia. No terreno, contaram ainda com cerca de 15 a 20 pessoas que apoiaram os participantes sem contar com o pessoal dos reforços, visto que as juntas e associações trataram de se organizar por elas próprias. Criados novos laços de amizade chega a hora de rumar a casa. Fica a saudade e que para o ano esteja cá de novo!

 

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Carlos Vitorino às 22:58
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