Domingo, 27 de Junho de 2010

- 1º Encontro Duros '10

1º Encontro dos "Duros" na Arrábida - 27 de Junho de 2010

 

Dureza e não é pouco!!!


No passado dia 27 de Junho realizou-se um movimento “á borliú” na Arrábida. Intitulado 1º Encontro para “Duros” na Arrábida, era uma boa oportunidade de fazerem frente ao imponente Parque Natural da Arrábida que esconde maravilhas que só a Natureza nos consegue dar.

O encontro era no Vale de Barrios, na loja VBBikes, que foi gentilmente cedida pelo dono, Vitor Vitorino, para que fosse o nosso paddock. Tal como o nome diz, este movimento era sem organização, tendo cada um, que contar com as suas capacidades físicas e psicológicas para vencer este duro desafio.

A hora estabelecida era ás 6h30 para arrancar ás 7h. Quando cheguei ao local de encontro ás 06h40 havia 4 madrugadores que cumpriram á risca a hora. Esperou-se então por mais “duros” prolongando até ás 07h30. Depois de vinte bravos “Duros” perfilarem para a foto da praxe, deu-se o inicio com a subida da Quinta da Escudeira. Os raios de Sol rasgavam a neblina matinal por cima do portentoso Castelo de Palmela que se via ao longe. A subir e sem aquecimento prévio, as pernas tendiam em pedalar vagarosamente. A primeira descida do dia necessitava de alguma atenção, devido á constante pedra habitual nos trilhos da região. Pouco depois entraríamos no 1º trilho que roçava as ruínas do Convento de S. Paulo. A dificuldade técnica imperava fazendo alguns atletas a percorrerem a pé alguns metros. Rumando á crista da serra, iríamos agarrar-nos aos travões na famosa descida do Downhill. Devido ás chuvas e a algumas alterações feitas pelos usufruidores assíduos deste trilho, havia zonas muito perigosas onde era preciso triplicar a atenção. Houve furos, pneus a saltarem, quedas sem gravidade, raios partidos, enfim, uma valente porrada para as bikes e para nós igualmente. Da baixa de Palmela começamos a subir direitos ao Castelo de Palmela que se podia avistar bem lá em cima. A ligação fez-se pela antiga calçada romana, mas se para nós ja custava a pedalar, imaginem só na época em que não havia as modernices actuais.

Em Palmela apenas cruzamos umas pequenas ruas, rumando ao famoso trilho dos moinhos. Trilho este que tem uma vista fantástica sobre o Vale de Barrios e as Serras envolventes neste parque natural. Neste momento vinha acompanhado do meu amigo Marco e outros companheiros que nos acompanhavam no ritmo imposto. Se por vezes ficamos chateados com a bike por não estar a corresponder, imaginem só como seria a relação entre o Ruben e a sua Alperstar com 15 anos, de Aço e forqueta rígida!!! Dá que pensar... Fomos desfrutando da paisagem e dos trilhos técnicos que apimentavam a nossa destreza. Este trilho é dos mais giros da região. O calor já mordiscava a pele e com algum suor a escorrer pelo rosto, pedalamos vigorosamente para ultrapassar a zona do Zig-Zag que nos remetia de novo para a crista da Serra, passando num trilho fechado sempre a direito com secções onde tínhamos que baixar para evitar cabeçadas nos troncos e arbustos.

Depois de um inicio algo assustadoramente duro, vinha alguns estradões para rolar a descomprimir as pernas, passando pelo Alto das Necessidades em direcção á Serra junto a Azeitão. Passámos em algumas zonas bastante rápidas onde foi preciso “rédeas curtas” para segurar a bicicleta. Um pouco mais á frente, e já depois de outra subida penosa, surgiu-nos um trilho rochoso em direcção a Azeitão, era perigoso com alguns drop´s de pedra solta. Para os mais destemidos decerto que foi uma experiencia electrizante. Á chegada a Azeitão ainda teríamos de nos remeter a outro trilho junto a uma pequena ribeira onde as folhagens verdes sobrepunham-se ao nosso campo de visão, um espanto! Hora de abastecer numa fonte junto á estrada aproveitando para mordiscar uma barra energética. Fizemos um compasso de espera, mas como não vinha ninguém, eu e o Marco decidimos seguir viagem. Seguindo direito ao Morro da Torre, a chegada altura deparámos com um trilho muito rochoso e acentuadamente inclinado, com algum equilíbrio desci tudo montado, mas o meu parceiro decidiu-se pela prudência e fez com a “menina” ao seu lado. Trilho do Carrossel, este caminho é uma explosão de cores e paisagens, o terreno é argila que varia entre branco, laranja e vermelho e a vegetação rasteira deixa o olhar absorver o esplendor das serras circundantes.

Chegámos enfim á zona do Parque dos Picheleiros onde passamos por um acampamento escuteiro numa clareira coberta de folhagem ainda provinda do inverno rigoroso. Saímos deste ponto fantástico, através de um trilho rolante e divertido. Mais á frente tivemos de parar confrontados com um barulho de motor, deparámos com uma carrinha atolada nas valas do trilho a trabalhar sozinha em aceleração máxima.  - Só pode ter sido furtada!  Disse eu para o Marco. Tentei desliga-la com sucesso, mas com receio de alguma coisa corresse mal. Continuando nos trilhos, chegamos ao Parque de merendas da Becha, onde estavam algumas pessoas a fazerem pic-nic´s familiares. Parámos mais á frente no Parque de Campismo para refrescar-nos com uma cola-cola e esperar pela minha namorada que vinha ao nosso encontro para dar motivação. Depois de ter-lhe pedido para ir fazer queixa á policia da situação da carrinha, seguimos o nosso desafio. Ainda fizemos mais uma paragem numa fonte de água junto á Aldeia da Piedade, pois distavam 40km para o próximo abastecimento(Comenda). A água estava fresquinha e a sombra abrigava-nos do Sol quente que se fazia sentir por volta das 12h.

Seguia-se a aproximação ás pedreiras de Sesimbra, por onde serpenteamos num trilho a subir até ao ponto mais alto. Esta zona tem muita procura seja por caminhantes ou entusiastas de BTT. Fizemos um pequeno desvio para ir à 1ª varanda. A magnificência do local é absolutamente colossal, podemos ainda ficar admirados com uma muralha erguida no tempo da realeza para servir de ponto de vigia á baia de Sesimbra. A vista é maravilhosa, mas tivemos que seguir, pois ainda estávamos a meio do percurso. Seguia-se o Vale do Risco, um pequeno planalto num recanto da Serra da Arrábida, onde podemos avistar uma fauna variadíssima. Ainda tivemos o privilégio de ver uma iguana selvagem, animal este que está completamente fora do seu habitat natural. É possível ver raposas, corvos, águias, aranhas de tamanho considerável entre muitos outros animais. Além de uma “fauna rica” este vale também nos encanta pelos trilhos extremamente técnicos, em que num dos que passávamos era um desafio á destreza tendo que por vezes fazer um pouco de “trial” para conseguir fazê-lo todo sem desmontar.

Deixando o Vale do Risco para trás, é então hora de irmos pela primeira vez, passar de bicicleta no trilho do Convento, que reabrimos de propósito para este encontro. A primeira parte tem um índice de dificuldade bem acentuado, porque além de ser a subir consideravelmente, tem muita pedra solta e os arbustos altos não deixam que a brisa levante o calor forte se levante. Pedala-se cerca de 1,5km sempre a subir circundando o Alto da Pena, por entre pedras e pedras, não fosse este trilho estar numa zona basicamente de calcário. Quando chegamos á zona arborizada somos brindamos com uma zona de floresta mágica, onde as arvores se entrelaçam umas nas outras dando um ar fantasmagórico. A secção a descer  vem logo a seguir, com um trilho basicamente em pedras soltas e bastantes circundado da vegetação e pequenas árvores envolventes. Sempre a curtir chegámos enfim ao alcatrão por meio de umas escadas que preferi fazer montado.

O portão do Convento de Jesus fica logo ali perto, mas como não podemos lá entrar, tivemos que invocar forças para vencer a barreira da estrada da Serra. É muito exigente, mas ao menos servia para descontrair o corpo da “porrada” que levamos no trilho. Ao longo da subida fomos tirando umas fotos ara recordar a beleza deste ponto da Arrábida, porque a vista sobre a foz do Rio Sado e Tróia é sublime. Na descida deu para o corpo refrescar do calor abrasador e descansar as pernas cansadas. Mas é então que o Marco diz-me que não tem água. Fizemos um pequeno desvio até á Comenda para reabastecer, onde bebemos mais uma coca-cola. Voltámos atrás para seguir o trajecto á risca, mas logo na primeira subida, senti o meu parceiro a desanimar e com pouca força a pedalar. Uns km á frente verificou-se o seu cansaço com a sua desistência. Fiquei sozinho, pois ele seguiu pela estrada mais próxima até á Comenda. Telefonei aos companheiros da Pedra Amarela para saber a sua localização, eles também estavam sem água e iam atalhar até ao ponto de água mais próximo. Fiz-me aos trilhos e segui caminho num dos trilhos mais fechados e fantásticos. Tem zonas técnicas e arbustos que vais parecem túneis de folhas, a adrenalina dispara ao máximo, maximizando o divertimento. Tive de vencer uma grande subida ainda antes de voltar á Comenda, onde finalmente encontrei os amigos da PedrAmarela e o Pedro Conceição. Decidi ir com eles, porque mais importante que chegar ao fim, é divertir-me com os amigos.

Depois de reabastecer seguimos a um passo calmo encaminhado-nos para o bairro da N.Sra. da Anunciada. A calçada romana do Viso esperava por nós. Decidi largar travões para não sentir as irregularidades das pedras, mas a demência de descer assim, contrasta com alguma forma de precaução. Passámos o Casal das Figueiras em direcção á N.10 onde iríamos descobrir o nosso próximo desafio, a Tartaruga. Lenta e impiedosa assim se caracteriza esta subida. Sempre a motivar e fotografando a passagem dos meus companheiros fui dando algum animo á sua participação. Ainda descobri um novo trilho graças ao amigo Rui que deu uma alternativa ao trilho imposto no track GPS. Com a passagem obrigatória na Capela de S. Luís, parámos um pouco á sombra, esperando pelos mais vagarosos. Próxima paragem seria no “Tanque”, uma fonte natural com água fresca, que só tem acesso por trilho técnico. Retemperámos as energias para seguirmos caminho. A “zona de Grândola” destaca-se por uns caminhos onde os sobreiros e o terreno vermelho são igualmente comparáveis com a Serra de Grândola. Chegámos então a uma zona recentemente aberta pelos militares para corta-fogos. Ficamos estarrecidos com a violência do impacto nos caminhos antigamente conhecidos. Muitos desapareceram e outros ficaram estragados. Ponderando a situação física de um dos nossos companheiros, decidimos fazer apenas o trilho das raízes, e seguir em direcção á loja. Mas ainda íamos ter um outro trilho para abrir o apetite, seria o trilho do Fio Dental, com 800 metros de divertimento para acabarmos o dia em grande. Mais umas pedaladas e chegámos enfim ao ponto de encontro.

Muitos já tinham saído, talvez devido a problemas mecânicos e outros por motivos físicos. Este encontro serviu para juntar pessoas e amigos que gostam de passar um dia inteiro a pedalar podendo alguns descobrir trilhos que nunca fizeram. Sem dúvida que foi um bom treino e avaliação da condição física de cada um, nunca descurando a parte mental que é igualmente importante.

Quero agradecer ao Sr. Vitor Vitorino que nos cedeu gentilmente a infra-estrutura da sua loja para banhos e lavagens de bicicletas. Um muito obrigado aos amigos, Ricardo, Marco, Rui e á minha namorada, por me terem ajudado a limpar o trilho do Convento, para que todos pudessem descobrir e deliciarem-se com o único trilho existente na Serra da Arrábida.

 

Espero que todos tenham gostado do convívio e dos trilhos que propus fazerem neste Encontro do “Duros” onde tivemos um dia espectacular para pedalar. Até á próxima.

Carlos Vitorino às 13:13
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